Publicado o site do Museu Nova Friburgo.
Quando Nova Friburgo era ainda somente uma ideia em 1818, D. João VI estabeleceu diversas diretrizes para a futura vila, desde infraestrutura urbana até bem-estar social de seus habitantes. A instrução dos colonos era fator determinante para o sucesso do empreendimento e o rei estipulou que a vila fosse equipada com escolas, jardim botânico e museu, sendo este último, fundamental para a conscientização popular e construção de uma identidade local.
No dia 6 de agosto de 1820, foi realizada uma cerimônia de assentamento das pedras fundamentais dos principais prédios a serem erguidos, incluindo a do museu. A projeção do marco histórico foi acontecimento festivo e concorrido entre a população da pequena vila, testemunhas do significado da solenidade e das esperanças depositadas junto à pedra fundamental: a felicidade individual e coletiva e um futuro promissor para Nova Friburgo.
Todavia, ao longo da história de Nova Friburgo, o museu pensado por D. João VI não passou de um sonho, muitas vezes utópico, tamanha a dificuldade de sua concretização. Somente 204 anos depois, esse sonho enfim se realizou! A Fundação D. João VI inaugurou o primeiro museu do município de Nova Friburgo em 2024.
O Museu Nova Friburgo tem a proposta de abordar a história dos povos pioneiros e formadores da cidade, sendo eles os povos originários (indígenas), os negros, os suíços e os alemães. Em 2024, com o bicentenário da chegada dos colonos alemães, montamos a sala “A Pequena Alemanha” e, em agosto de 2025, inauguramos a sala “Luzes de África”, dedicada à memória do povo negro - uma ação inédita e que contou com a participação dos coletivos negros da cidade. As demais salas serão inauguradas nos próximos anos.
Além da temática principal, contamos ainda com uma sala de arte contemporânea com obras do canadense Guy Laramée, artista radicado em Nova Friburgo há poucos anos e que retrata sua paixão pela paisagem local em telas e esculturas únicas.
O Museu Nova Friburgo está ganhando vida e veio preencher uma lacuna de dois séculos da necessidade de interação entre a comunidade friburguense e a sua história. Como lugar de memória, o museu resguarda e disponibiliza peças a fim de permitir que os usuários se apropriem de sua mensagem e reafirmem a própria identidade como parte integrante dessa história.
Luiz Fernando Folly
Presidente da Fundação D. João VI de Nova Friburgo.Paisagista pela EBA / UFRJEspecialista em História - Faculdade de São Bento do Rio de JaneiroMestre em Urbanismo pelo Programa de Pós-Graduação em Urbanismo - PROURB / FAU / UFRJ